
Passado crescente
Data 16/04/2007 22:08:19 | Tópico: Poemas
| É numa memória chorada que penso, Quando me sento propenso A deixar a alma ao relento, Num terrível imenso Saído de pobre senso... Pobre e sem provento.
Não é choro denso, Nem copioso, nem lento Aquele que sai por rebento De olhar tenso, denso, Natural de reles sofrimento Que por imo, é quase bento.
Pede-me então por talento, A mão que adula com incenso Uma réstia de alento Perdida debaixo do róseo lenço Que me impede por um momento O sangue de se lançar ao vento.
Então, escrevo-me por extenso Num livro contínuo e intenso Em que nem ao tempo venço Mas, mesmo assim, ainda o tento... E quando penso que o convenço Corre-me como um nónio atento Medindo os minutos que invento Em momento deserto e atento.
Valdevinoxis
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