
\" Discurso épocalitico \"
Data 25/10/2008 21:05:19 | Tópico: Poemas -> Humor
| (I) Que mais querem vós senhores - Todos doutores - na televisão ? Uns pegando no \"presente\" ao colo Com todo o amor. Outros, ao pontapé e ao soco, Fingindo não ter onde se lhe pôr. Outros cuspindo fogo, Semeando os ventos do terror !...
Mas ao nosso \"presente\" \"O tal\" do dia a dia, Só lhe descontam ilusão ! Sempre a mesma fantasia Fundamentada, estrategicamente Na demagogia, que são. - Profissão estupefaciente !
Querem-nos o voto Guerreiam-se, esfolam-se ... Por um voto. - Eu também voto : - Não !
Deve haver um direito : - Ser independente ! Porque não, Se tudo se repete ? Repete-se a guerra fria Que só já pena, nos mete !
Porque às tantas, o programa ... - Repete-se o drama : « Pedimos desculpa por esta interrupção, - São Bento entrou em erupção - O programa segue dentro de \"parlamentos\" »
- Qu’este já deu, a quem tinha a dar. Diz o \"Zé cansado dos engordar\".
(II)
Bom, agora O melhor é ir-me embora, ‘Tá na hora do telejornal ... (A mesma miséria de sempre mundo fora. A sofrer, cada vez mais gente !)
E a seguir, O melhor é ir curtir. Vem um tal \"tempo (mal dito) de antena\" Tempo de ter pena : - Falam todos tão igual !
(III)
Vem branquinha de pó de talco E com cheirinho a desinfecção, A nova oposição, - A antiga coligação governamental.- Dizer lá do palco : - Alto. Alto. Está tudo mal !
- Melhor quem não faria ? - É preciso mudar. Nesta rebaldaria, O país não pode continuar; E só em nós podem confiar Quando em tal dia, forem votar.
... O povo tem que compreender que só ele é o culpado. votou no poder errado ! agora, só há uma saída a escolher, quando outros tiverem que eleger, botem uma cruz, no nosso quadrado.
- E eu voto bem : - boto quadriculado !
(IV)
Chega depois o novo senhor vulcão E diz, com a sua voz de trovão : - Rebelião ! Fora com esta cambada De incompetentes. A minha rapaziada, Está pronta a governar Com unhas e dentes !
É preciso renovar, Que entrem os suplentes ... ( Que já não andam nada a gostar da equipa titular )
- Quem gosta de estar No banco a ver jogar Concorrentes incompetentes ?
(V)
Eis por fim o rei pequeno Tão moreno, o tirano. Olhem como ele fala, Parece que está a tocar piano !
- Vou cumprir-vos as promessas Que vos faço na campanha; Haveremos de ser como a Alemanha ! Mas não tenheis pressa E sobretudo não me façam sair Se não, Não passamos de Portugal.
Portugueses, eu não os quero ver mal Por isso por favor, deixem-me prosseguir. Porque o povo é que foi o culpado Votou tarde demais em nós. A solução. Os outros deixaram isto tudo acabado, Tinham escondido o país, no alçapão !
Sejamos reais, É promissor o futuro. O caminho será longo e duro, Mas comigo iremos conseguir, Seremos capazes de triunfar. Mas como ainda vai demorar Não me façam já cair !
E já agora aproveito, Já que estou a falar verdade, Para dizer que o voto no \"mais que perfeito\" É com o vosso \"particípio\" no nosso quadrado.
E eu voto bem : - voto \"ar condicionado\"
(VI)
E enfim tudo se consuma, O governo empossado, Glorificado, tudo promete. Tudo semeia e estruma. Na ordem diz que mete !...
Mas não mete. Não arruma. Melhoras ? - A deles, já é uma -
E o tempo vai passando, O poder vai-se baralhando, ( Partindo e dando ) E como sempre perdendo. Os buracos (todos ?) sabendo, A oposição fervendo, agitando, Os \"medias\" em máximos, encandeando. E a opinião pública ? - De quadrada passa a cúbica !
(VII)
Então, Após nova interrupção, Lá vêm eles de novo Tão bonitinhos, à televisão. Dizer a verdade ao povo. - Chorar de novo ! -
Pelos votos cruzados Deste povo feito de activos, Passivos, cansados e deserdados. Herdeiros, tripeiros e atrevidos E outros tantos, bem sucedidos ... - Votos repartidos.
Por uns, de fresco pintados. Outros, reconstruídos. Outros, de novo criados. Outros, arrependidos. Outros, arruinados. E outros de inveja roídos ... Mas todos, partidos ! Se chega a nova conclusão :
-Então, Lá vem à televisão, O novo senhor decisão ! Em directo da \"Cova da Piedade\" Dizer, cheio de boa vontade :
- Tudo mudou, Nada vai ficar como estava, Este governo vai trabalhar, Como há muito nenhum trabalhava. ... Blá , blá , blá ... Blá , blá , blá ...
- Estou ? - Estava !
P’r’aqui a pensar, Que deve ser duro ao povo, De vos acreditar De novo !
Façam-se lá uma imagem Digna de quem se quer respeitar ! Que o povo, até quer votar Em quem os saiba representar, Não em \"nossos senhores da boa viagem\" Que se engordam à passagem.
E agora, Com o devido respeito Deixem-me votar, - Exercer o direito - Vou votar bem. Para Belém : - Voto na bochecha esquerda do meu peito ! Este é meu discurso \"Épocalítico\" \"Ficou escrítico\"
Urbano da Vila /83/85
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