
ERA UMA CASCATA
Data 18/10/2008 15:48:18 | Tópico: Poemas -> Amor
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Como cascatas livres, assim teus cabelos, desaguando na púbis, que se esconde, por entre as águas rebeldes, descendo as montanhas, desde a sua nascente, até ao mais interior de ti: flor crescente, de teu ser.
Afloram tuas coxas, abrindo círculos na água. E, banhando-te, nas águas límpidas, num abraço, tapas teus seios desnudos, e, limbos, prendem-se à tua pele, para, gradualmente, irem caindo, mostrando a beleza de teu corpo.
Dizes-me para entrar, esquecendo pudores, persistentemente fixos na memória. Para jogar tudo fora, e, despindo-me, entrar no lago, e juntos desfrutarmos, do melhor que a natureza tem para oferecer, sem regatear nada em troca.
Convencido, ainda, que um pouco hesitante, livro-me das roupas incómodas, jogando-as nos arbustos. Está sol mas as águas estão geladas, e, meu primeiro impulso é sair, até que me chamas, para junto de ti, pedindo-me que te ajude a lavar.
Depressa me acostumo à friagem, e, em uníssono, lavamo-nos um ao outro, num erotismo, que não se esconde, pois tudo o que é natural é belo e deixamos correr, em toda a sua simplicidade, o nosso grande amor, que as águas acolhem, com agrado.
Por fim saindo e deixando para trás a cascata, colhendo nossas roupas, aqui e ali, entre medronhos, vestimo-nos, como dois seres purificados. E, escutando o cântico das águas, damos nossas mãos, vagarosamente, a meio à paisagem, descendo então, íngreme montanha.
Jorge Humberto 17/10/08
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