
MY LIFE, MY JAZZ
Data 17/10/2008 11:13:47 | Tópico: Poemas
| MY LIFE, MY JAZZ
As vezes, Sinto o pulsar da minha oxigenada e maravilhosa cantiga Como uma acústica em desordem, uma sinfonia caótica, abortiva.
As vezes, Ela é o ermo, É a contraluz o tempo inteiro, É a sádica miragem, o sereno desespero e a silente ferina tempestade. Afinal, de quando em quando, Ela é, enfim, o sequioso vácuo em esmagadora densidade Em mim se assentando como o inamovível Monólito da invisível voragem do ânimo.
Então, quando são vigentes estes dias, contemplo ou mentalizo Na humana Estrela Ígnea Que me fez emanar A centelha, a Opala, a Esmeralda, a Água mais Cristalina, O Graal da Imensa Tela Celestina E recobro a viscosa sofreguidão, a hialina fulgência em falta, perdida No avançar momentâneo da dantesca névoa intermitente Da desilusão de tudo.
Então, quando são vigentes estes dias, Meus ouvidos degustam redundantemente A garrida, fluida e indômita ventania saxofônica De Charlie Parker; Degustam redundantemente As alamedas e esquinas Da galhardia pianista de Duck Ellington; Degustam redundantemente A melancólica suavidade trompetista de Milles Davis; Degustam redundantemente A dor que floresce do azul das antigas Plantações do algodão sulista Ou da voz de Billie Holiday, Fúria Fibrosa, Vulcânica Diva, E digo: Sou caô puro! Sou vácuo rarefeito! Ah, mas a vida, A vida é BLUES, É JAZZ, A MAIS BELA E NOCIVA AQUARELA DO CAOS QUE HÁ NO MUNDO! Ah, mas a vida, A vida é jardim de arco-íris E de zinco que vocifera as vísceras dos vivos seres aqualinos!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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