
“ Futuroscópiência ”
Data 09/10/2008 15:18:45 | Tópico: Poemas -> Humor
| (I)
Via-me bem numa futura geração A do basta juntar água e mexer. Via-me bem a só esticar a mão, E ter tudo sem nada ter de fazer.
Haver o mundo inteiro numa televisão, Um menu e muitos botões para escolher E um “robot” para tudo me trazer ! ...
- Vai mas é trabalhar, ó calão ! Pois ainda estamos na geração Do toca a “arranhar” se queres “roer”.
(II)
Se cem anos depois, nasceria rico Porque me nasceram um século atrasado ? Agora metam-me num “arco frigorifico” Até ficar duro. Imaginem-me um gelado.
Confiem-me a um génio ciêntifico, Expecialista do ainda não inventado : Transporte ao futuro – via congelado ! E eu todo em arco metido cem anos fico Como um espermatezoide em azoto liquido “Cool” em “stand by” bem conservado.
(III)
E num foguete passaram-se cem anos E há dias um actual expoente da ciência, Sem cometer enganos, nem em mim danos Consolidou a “espectapolar” experiência.
Eu o primeiro dos bravos lusitanos Com cem anos de absoluta inexistência. Cem anos de atraso de inteligência !
Os nossos ulteriores são uns bacanos E a grande moda é serem marcianos Moram na lua . A terra foi á falência !
(IV)
Faço hoje cem dias de futuro. –Tirem-me daqui não sei andar nisto ! Eu pensava que o meu tempo era duro Mas o futuro ficou depressa, mal visto.
(Aprendi que a terra teve um furo, E o homem um estrondoso despiste. O mundo como era, há muito não existe.
Dizem que de repente o tempo veio escuro Ouviu-se um estoiro . Vieram as nuvens d’esturro E o sol foi-se embora furioso e triste .)
(V)
E então ó netinhos, não havera maneira De me mandar aos “charrinhos”, do passado ? É que por mais que eu tente e queira Aprender a ser um gajo todo sofisticado,
Não faço sequer a minima ideia De como amestrar este imenso teclado. - Acerto sempre no botão errado !
Aos passados do meu tempo, desculpem a caganeira É qu’eu carreguei sem querer na diarreia A prisão de ventre, era o botão do lado ! Urbano da Vila / 87 / 93
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