
Pássaros de seda e luz
Data 12/04/2007 13:10:00 | Tópico: Poemas -> Amor
| Do rio grande e doutras margens, percorrem-se cachoeiras divinas de memória e, num esvoaçar melodioso de sulcadas asas, se acentuam recortados, pássaros de seda e luz.
Elevas-me na agitação de bridas quentes de cobiça, do teu corpo no meu corpo acentuado e logo decalcado, urgente de tão faminto. No saber, no sabor e no instinto.
Projectas-te em ogivas brandas, serenadas, das nossas bocas coladas, que se alongam em estradas de volúpias rubras. Bagos ébrios de uvas. Deslizas em intemporal balanço de gozo e de prazer! Danças ... Danço!
Serão pássaros de seda as tuas mãos sobre o verde esvoaçante dos cílios dos meus olhos, neste mar em que te adivinhas projectado, elevado, completado ... E a tua boca será perpetuamente rio aberto a escorrer nas margens partilhadas de um tempo só nosso, ainda por viver.
Serão os nossos corpos eterno bailado num palco secreto dos mais finos afectos. Em ti encontrei a loucura do desejo e o sacio desta fome de me dar e receber ... A alma, o corpo, consagrados na saliva trocada de um só beijo. Eternizado!
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