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Data 07/10/2008 18:32:04 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| há na noite do teu quarto a escuridão em teias que se agarram ao corpo surdo a ouvir uma música triste e a chorar as horas entre o fumo do tabaco e um não lugar qualquer os teus braços aquecem alguma raiva para se servir quente numa bandeja de sonhos estragados ou dias fora de validade tu não sabes onde puseste os teus olhos e procuras com as mãos os espaços vazios tantos espaços por ocupar entre o pó algures dentro do quarto presos estão vazios e solidões que chegam para dar e vender ainda tu sempre tu dirás que a vida é isto quanto a mim esse é o jeito delicado de dizer tenho frio há bichos a ocuparem-te o coração algum mar que te afoga por dentro fala-te na revolta das suas ondas fala-te de sitios em lugares que poderiam ser alguns choras as horas inquieto por detrás do fumo já pouco há nesta vida ou nesta morte sempre do pouco que somos se fará ainda menos é o mistério da loucura como a certeza de estarmos vivos e mortos ao mesmo tempo no mesmo sitio hoje estás triste e a rua para lá da tua janela encolhe alguma nostalgia que se despe e é nua que a gostas só assim vestes a falta ou a saudade que fica quieta para sempre entre a pele tão viva que é dificil esquecer
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