
VIDA DE POETA
Data 07/10/2008 15:48:48 | Tópico: Poemas -> Introspecção
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Na minha solene loucura, rasgo folhas, de encontro ao peito, reinvento-me a toda a hora, e, de novo, pé na estrada, componho o irreversível, à luz da vela.
Prisioneiro de mim mesmo, de mi arte, sou um poço de febre, que me trucida, corpo e alma, jamais e nunca satisfeito, com o que produzo, em toda a entrega.
Sei-o bem que falta sempre o que dizer, em tudo que faça ou intente concretizar, como se ficasse algures no meio do nada, na inquietude alucinante, de meu quarto.
Num assomo de infertilidade e inspiração, esmurro o cinzeiro vazio, e, eis, deambulo feito sonâmbulo, quarto adentro, cerrada a mão, com que enceno, a própria morte.
Porém, a momentos, aceno-me ao longe, como que para te cumprimentar e trazer, para junto de mim, banhando meu corpo nu, em águas, cobertas, de rosas brancas.
Jorge Humberto 06/10/08
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