
PARTISTE INFÂNCIA
Data 05/10/2008 15:51:09 | Tópico: Poemas -> Amor
|
Nasce mais uma manhã esplendorosa, onde tudo é possível, até o irrealizável. Em suas águas claras, plenas de cores, sobe a manhã, gradualmente, pelo rio.
Em suas margens, parece descansar e aguardar, a transmutação da sombra, que, persiste, em se esconder do sol, reclamando sua grandeza e soberania.
A quem repara nas plantas, orvalhadas pelo róscido matinal, e se debruçar um pouco para ver, logo estas readquirem toda a textura normal, suas multicores.
E, ao fundo, sem que perceba, o como nem o porquê, um belo roseiral, fez aí sua casa, e, não resistindo colho rosas com agrado, tua figura como pretexto.
Gosto de vaguear assim, e, deixar-me absorver, pela natureza, circundante. Deitar-me junto a uma árvore e fechar os olhos sem pensar em nada de nada.
Que bom é pensar em nada e do nada, apenas o que nos rodeia, que é tudo. Nascidos para interagir, com o mundo, sermos a natureza, em toda sua força.
E, cai uma chuva agradável, molhando tudo à sua volta sem ter complacência. Saio debaixo de minha árvore e sinto, que devo comemorar, imensa dádiva.
Sinto ser altura de regressar a meu lar, e, olhando uma última vez, para toda esta beleza, sinto-me como a um traidor, que abandona tudo, só pelo conforto.
Oh, doce e corajosa, infância, partiste! levando contigo minha recessa infância. Hoje sou apenas mais um, entre tantos, que, se distanciou, de sua subtil génese.
Jorge Humberto 04/10/08
|
|