
Estradas e encruzilhadas
Data 11/04/2007 11:04:46 | Tópico: Poemas
| Entra… Bate à porta e entra devagar Hoje o meu peito está aberto Para quem o quiser ver. Não o reconheces assim? Parece-te vazio e sombrio? Que pena…. Não é impressão tua Ele agora é assim.. Negro…feio e oco de beleza. Atirei tudo boca fora… Tudo… Não vi se era mau ou se era bom Se estava ali encolhido a um canto a murchar Então é lixo E como lixo por mim será tratado. Dizes que não querias que eu me sentisse assim? Não acredito Porque ou estavas surdo quando te supliquei uma palavra Ou então tapaste os ouvidos para não ouvires os meus gritos… E isso não te desculpa Nem te tira o peso da culpa Por me teres morto por dentro Por me teres feito sentir Que a palavra Confiança era só mais uma miragem Por teres apedrejado o meu coração Com pregos de aço Por me ensinares que as feridas Por mais que doam sempre se suportam basta que se ame muito quem nos feriu. Amar é uma loucura… Odiar um caminho sem regresso Fico-me pela ponta da navalha Suspensa por cima de duas estradas Curvando-me na direcção que o vento quiser. Agora vai… Já moras cá dentro Tatuado em sangue neste chão de carne Deixa que o odor forte Te indique um dia o caminho de volta. Mas se quiseres regressar Trás contigo sonhos que cheirem a novo Para pendurares no meu pescoço Porque os que eu tinha semeado na pele Estão podres graças a ti.
Daniela Pereira
|
|