
ALAMEDAS DO DESTERRO DA MEMÓRIA(INÉDITO)
Data 04/10/2008 12:40:22 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| ALAMEDAS DO DESTERRO DA MEMÓRIA
Existe, em nossa Terra, Uma imensurável e mágica alameda de vívidas casas devolutas: Ao germinar, A roda-viva do desprezo Dá-lhes um cruel e inapagável beijo.
Este beijo detem o poder maligno De transformar existências Que poderiam receber a refulgente luz Da prosaica alegria fugidia Em virulentos arquipélagos do alheamento perene, vitalício A brotar no onipresente jardim Do incansável fluir e refluir Do rio de todos os dias, Contra todas as expectativas do neutro, Sedentos da mais mejestosa e diáfana ventania!
De início, Este ardiloso ósculo faz-se lepra: Prende seus despojos No cárcere do insensível: o Éden da Gélida Pedra! Depois, revela a sua nociva fronte escondida: Mostrando toda a acuidade da dor Provocada pela mordida Á maneira da Viúva-Negra Australiana Ou á maneira da peçonha da Amazônica Tarântula, Assassina Empedernida! Assassina Nefanda!
Não, a eles não é possível Saborear a estrada Da opaca e epidérmica isonomia: Para a sociedade da linearidade-turmalina Estas pobres almas orbitam a galáxia da inexistência, Vagueiam perdidas no universo das estrelas inconcebidas.
Órfãos do sangue da paz, Os filhos das casamatas do anonimato Fazem, como todos nós, Apesar de merencoriamente, A grande imprevisível viagem. Merencoriamente Por não terem nem mesmo o direito A um réquiem rarefeito, sumário A fim de que obtenham o fôlego Necessário para adentrarem tranqüilos Na mansão do etéreo, eterno, Benigno, magnânimo e sábio silêncio ignaro e hialiano: Indecifrável hieróglifo que atordoa O imaginário dos humanos seres vivos, Que o Planeta Azul povoam!
Ah, mas a teimosia não desiste: No sorriso ledo duma idosa Da linda tez de betume... Nos olhos lúgubres e estafados De uma sexagenária lavradora chorosa, insone... Na índole onipotente de uma Dedicada mãe doméstica, Que ainda bivaga na rodovia da juventude... No berrar de uma criança Ou no pranto da jovem, Que, em suas sofridas lágrimas de cristal, Guarda a infinita flora da confiança, Reside a fonte da esperança: O lume da inabalável fé Alimenta-lhe a inerme, Embora inexaurível chama, O único ente que pode libertá-los da dantesca ventura do intangível naufrágio!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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