
DESIGNAÇÃO
Data 10/04/2007 14:50:00 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Encerro com a noite seus passos sórdidos e mórbidos. E esqueço, louco, os disparates da vida, Esqueço, louco, o silencio que se principia. Sou o eterno silencio velado. Sou a vida desmistificada. Bate na alvorada obscura a vida sem sentido E a saudade de outro alguém a quem me perdi. Misterioso e silencioso. Um outro ser a quem ouso ser, Um outro que habita em mim Na sombria espera de não ser Entre os beijos da cálida rosa da noite. Sou a síndrome misantropa Na agonia mundana. Sou Alexandre, o Grande, conquistador, Preso por um sentimento exilado. Ferido nesta guerra universal do homem, Cova de dores e males Que em outra vida não cessarão. Sou a escuridão, a melancolia e o tédio Mergulhados em nostalgia. Tenho a natureza dos mortos, A escuridão, o vazio, o nada mais ainda que a face do desconhecido Que tememos: ressentimento prolongado Que a vida contrai em suas aversões, exílio a um destino inóspito. O Celebre Anjo vem com suas asas nefastas, Desposar-me a alma. A Afeição noturna de seu rosto é de minha morte, Dentro de mim. Sinal de invasão, trevas que sucedem minha alma Nesta incontida liberdade. Minha vida, campo de batalhas perdidas e vencidas, Nuvens efêmeras. Lembrei de minha vida infantil, Nuvens de passado, tão turvas, tão rápidas Que nem capto a mensagem. E esta aflição que me penetra a carne, O corpo, a alma sem a comiseração de Penúria, Faminta desta designação. Perdi minha essência neste outro alguém, Quer dentro de mim se faz presente. E esta onda de lágrimas em que me anoiteço. Sou um Deus mnemônico atrás de suas máscaras. Sou o elo eternum de uma natureza sombria.
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