
Claustrofobia
Data 10/04/2007 02:53:44 | Tópico: Poemas -> Góticos
| Encerrada num corpo, distante da vida Podendo tudo observar, só observar Meu destino já não me pertence Por mais que eu o queira Lucidez e vitalidade presos em inércia Maldigo a vida que não se extingue Quero uma taça de liberdade Mas só me trazem mais vinho Tão vermelho quanto o sangue corrente Chego a delirar Embriago-me Buscando no sagrado líquido A liberdade profana Tento desatar as amarras Que me prendem à realidade Desesperadamente almejo mergulhar Em outro plano, onde me conheço Tudo em vão... Mais vinho, mais em meu sangue Já não posso manter-me em pé Custo a acreditar que ainda estou lúcida Este vinho que tanto afeta meu corpo Não pôde roubar minha consiência Num súbito, atiro a taça contra a parede Me percebo ainda mais solitária Indefesa, sem nem a mim mesma O forte cheiro do vinho que ficou na sala Mistura-se entorpecente ao meu perfume Parece um belo convite às outras almas Que, como eu, vagam solitárias Não posso mais fugir, nem mais o quero Lentamente me aproximo dos cacos do cristal Estes se parecem com vestígios de mim A tentação torna-se insuportável Fixamente, me acariciando e me rasgando Aos poucos, me libertando de mim! Suspirando de prazer ao ver o sangue jorrar Por fim um corpo inerte e ensanguentado Uma expressão de paz na face De todos os lados flui energia... Espectros bailam freneticamente ao redor deste Inebriados estão, com o odor de meu sangue Morta. Finalmente estou livre!<br />Thamires Nayara.copyright © 2007 proibida cópia ou venda sem o conhecimento do autor."A violação dos direitos autorais é crime"(lei federal 9.610)
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