
O negro da noite
Data 21/09/2008 16:13:28 | Tópico: Textos
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XII - concurso literário na escuridão da noite
A noite pariu as sombras de corpos ocos, que deambulam pela cidade iluminada pelas cores cintilantes do desespero, da corrupção, dos cheiros nauseabundos da escória social. Vestidas a preceito, almas negociadas desfilam na passarela negra da vida, uma a uma mostram ao mundo a sua colecção mais animalesca, desenhada pelos mais conceituados escultores do barro impuro da essência humana, desfilam com voluptuosa elegância, indiferentes ao gemido do vento fresco do Outono, que gela o rosto sujo e alienado dos inquilinos das ruas imundas. As nuvens pardacentas associam-se ao desfile e cobrem a lua entristecida, pela visão deselegante dos terráqueos noctívagos. Gotas orvalhadas brotam de um céu infértil de estrelas, como se fossem lamentos de milhões de bocas famintas das terras áridas e desérticas clamando justiça… Relâmpagos e trovões irrompem na escuridão da noite, vociferados pelos Deuses do Olimpo cansados da imbecilidade humana, dona do seu próprio destino. Do alto da torre da igreja o relógio badala as 00 horas do dia seguinte.
Escrito a 20/08/08
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