
A HONRA DE TRABALHAR
Data 17/09/2008 17:19:45 | Tópico: Poemas -> Sociais
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Tenho muita pena, de não ter continuado meus estudos. Mas uma soberana imagem, tomou conta de meu romantismo: ir trabalhar, levando em minha mão, a mala com o almoço, e, assim, sair para a rua, rumo a algo, que tinha por grandioso.
Adorava levantar-me cedinho, preparar tudo, arrumando bem a minha mala de couro, despedir-me lá dos de casa, e, fizesse calor ou frio, pôr-me a caminho da oficina, para aprender uma profissão.
Naquela altura, lembro bem, dava-se valor a quem trabalhava, não como nos dias que correm, onde cada um passa por cima do outro, para atingir seus fins sinistros e ainda nos olham de lado, simplesmente por desempenharmos bem o nosso oficio.
Acabou-se o romantismo e o orgulho, pelo trabalho, do dia-a-dia. Levantar inda mal raiava o sol, respirar um pouco de ar à janela e vermos nossos companheiros, dirigindo-se a seus postos, de passo firme a altruísta.
Por romântico ficaram-se as facilidades, para adquirir cobiça, pelo que é dos outros. Fazer-se que se estuda, para terem um carro, oferecido pelos pais, e, sair à noite, embriagando-se, até encontrar a morte nas estradas.
Sociedade de plástico, onde o fútil é recomendável.
Mal-educados, que não respeitam quem trabalha e se dão até ao desplante, de não ceder seu lugar, nos transportes públicos, aos velhos, fazendo-os suportar a viagem toda de pé e rindo-se, como cerdos na engorda, satisfeitos com sua participação, nesta vil sociedade, de bastardos e falhos de inteligência.
Jorge Humberto 16/09/08
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