
TRATADO DUMA AMIZADE
Data 15/09/2008 15:14:56 | Tópico: Homenagens
| A Amizade é uma coisa bonita... mais bonita ainda que flores campestres, que, como ela, crescem livres, soltas, despojadas, pelos terrenos mais improváveis. Como ela, nascem espontâneas, dependendo só do ninho da terra-essência, do amparo de qualquer haste-afinidade, do afago de uma brisa-carinho... e como ela, alindam os campos áridos desse mundo, pintalgando-o de cor, iluminando-o de sentimento, animando-o de esperança!
A verdadeira amizade é flor do campo... pura, dádiva, emoção ao vento... e floresce nos campos mais improváveis...
Isto, como preâmbulo para apresentar a minha amiga
**VENTANIA, no Letras Dispersas--ROQUESILVEIRA, no Luso-Poemas **
...O primeiro poema que lhe li foi #Anjo meu#... e fiquei fascinada, a sua poesia chamou-me. Levou-me ao Letras Dispersas, onde partilhei a mesa com grandes poetas que me fizeram amiga e aprendiz de poetisa... É incrível como se constroem laços tão fortes, assim, apenas partilhando emoções... Laços fulminantes e profundos...
Um belo dia deparei-me com um poema que a minha amiga tinha feito para mim... Quer dizer, pronto... titubeio... não sei que dizer... Só posso mostrar para vocês.
Eu, claro, só podia responder à melhor altura que os meus aspirantes recursos de poeta me permitiram. E foi pouco, para o que ela merece. Também quero mostrar para vocês. Amizade é para partilhar. Sadiamente, como o balouçar de flores campestres ao vento de manhãs de esperança...
ÓRFÃOS DO MEDO (RoqueSilveira) Meu olhar negro nublado Por chuvas de solidão Perdia-se desocupado... No horizonte a ilusão Do teu olhar a meu lado Pousado na minha mão... Teu olhar não conhecia Os caminhos do poente. Da chuva a cor penedia Da retina a cor crescente. Sentido e razão te pedia Só mar e areia ardente... Pensava eu ser assim Mas engano, minha sorte Tua chama mar em mim Tua areia foi meu forte. Unidos na praia, enfim, Seguimos o mesmo norte!
Com esse brilho nas mãos Retocámos nosso olhar Renegámos nossos nãos Sobrantes e a naufragar No firmamento já órfãos De medos e de lugar.
CANÇÃO PARA A VENTANIA (Sterea)
Pergunto ao vento que passa Se viu novas de mim, E o vento traz-me sussurros:
-Sim, sim, sim!
Mas os meus ramos inertes, Tolhidos por férreas garras, Não ousam brotar o verde Por entre as suas amarras. A Primavera é criança, Tenro sopro de equinócio, E a VENTANIA dança, Em nuvens, como se fosse A esteira de minhas vozes, Véus diáfanos de quem Esvoaça asas d' anjo... -Vem... vem... vem...
Como dar as mãos ao vento? Tecer laços de cetim? E a aragem traz-me sussurros: -Assim... assim... assim...
E a VENTANIA aconchega-me, Reveste meus ramos nus, Abraça a minh' alma em sede De flor, semente, de luz... Desfolhando mil corolas Desvendo sonhos em mim, E os ecos são madrepérolas Perfumados de alecrim!
Pergunto à VENTANIA que passa Se viu trovas de mim. E ela traz-me sussurros:
-Sim... sim... sim...
RoqueSilveira..., és a VENTANIA mais simpática que já conheci!!
Sterea
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