
FILHOS DA NATUREZA
Data 14/09/2008 15:47:29 | Tópico: Poemas
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Dois passarinhos, empertigados, para fazerem seu ninho, lutam por um raminho, de uma qualquer árvore, quiçá, longínqua, do lugar onde vos estou narrando esta bucólica cena, em toda a sua beleza natural…
Não é uma luta assumida, apenas prevalece a vontade, do mais cioso dos dois, em levar para junto de sua companheira, mais um prémio, que vá guarnecer a casinha, que irá acolher seus filhotes, nesta primavera.
Cabe a ela depositar os materiais, onde julga mais preciso, fruto da experiência de outros anos. Enquanto numa azáfama, que chega a cansar só de ver, o macho não pára, de cá para lá, buscando pauzinhos e folhas, algum musgo, para receber bem a nova família, no cimo da árvore predilecta.
Ele canta, contente com seu trabalho, como que pressentindo, que o está a fazer de boa poda. E quando se achega à parceira, cansada, não se esquece de lhe trazer algo que comer, enquanto ela freneticamente bate as asitas e abre bem o bico, exigindo-lhe o manjar desejado, pelo esforço empreendedor.
Por fim dão por terminado o ninho, bem aprumado e acolhedor, e, logo, surgem os primeiros ovinhos, enquanto ele observa tudo, num ramo mais acima, auscultando o horizonte, com lampejos laranja, anunciando o entardecer e uma noite de vigília constante.
Entretanto quatro saudáveis passarinhos nascem, piando sem parar, pedindo comida e atenção. Pai atencioso, lançando-se no vazio, vasculha o chão, pedras e ervinhas, buscando insectos, que logo se apronta a levar à fêmea, que assim dá seus primeiros alimentos sólidos, aos pequeninos, tirando algum pouco para ela, que coitada não pode sair do ninho; e lá vai o macho, numa roda-viva, sem descanso, trazendo comida atrás de comida, enquanto os pequerruchos engordam, a olhos vistos.
Jorge Humberto 13/09/08
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