
A poesia fermenta
Data 06/04/2007 20:44:11 | Tópico: Poemas
| Antes de todas as coisas, lá mais atrás, na confusão elementar, caldeirão fervilhante, amálgama de todos as partes, antes de se formar sequer, convexo, o Mundo, esporámos benignidades em verborreias de palavras inúteis. Contristámos o momento mágico no vácuo. Despertámos meninos estouvados, impunemente, aquele estado de Alma a que chamo soledade, desvio, misantropia. Emergimos escassamente por dentro de silabas espumadas de poemas. Baldios. Farpados. Carência de ternuras. Nudez de afagos. ** Procuro em Babel a mestra chave, no Monte da Lua, a Lua Nova, a Lua Cheia - um fim nesta logorreia. Percorro o beiral do abismo, que agora em silêncio, quero celebrar apenas o mutismo. De costas na concha do Mar, fito-me no firmamento. No propósito de estancar o sangramento.
Lá longe, no Infinito, rebusco um lugar em que o descanso aquartelado me chame ao recolher. Na melancolia original, na clausura. Na soledade sem mácula.
Que no abismo profundo, em que a Alma se acorrenta procuro a étimo do Vento dentro do sémen fecundo de ser seiva e sentimento. Junto-lhe o óvulo-fermento de poesia, e por instantânea magia, logo, logo um novo corpo de mim emerge e se amamenta.
A poesia fermenta!!!
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