
é no silêncio
Data 08/09/2008 14:51:24 | Tópico: Poemas -> Amor
| é no silêncio do teu olhar gelado que me dispo peça a peça camada sobre camada, sobreposta, em gestos títeres de boneca vidrada a porcelana fina.
é no silêncio dum palco mal iluminado p’la lua madrugada ali ao lado no umbigo escuro do rio que me deito, em cama áspera e nua, nos lençóis do teu caminho… indefesa, desarmada, pagã em espera.
e tu chegas, como punhal icónico rasgando a terra…
envolvo-me na ternura que me resta recubro-me aos flumes vagos de desalento afasto negrititudes ao pensamento,
… suspiro lágrimas exangue, ébria p’lo pó de ilusórias estrelas cadentes, e pinto de sonhos o cinzento das paredes expostas às intempéries em cores aquosas de claras aguarelas,
… e, no silêncio, me entrego em magrezas de palavras e desejos escarlates d’abismos siderais.
em monocórdico gemido, à mó empedernida dum moinho de vento sem albas velas, abro, uma a uma, pernas às palavras, enquanto mutilo braços d’asas à levitação plena da alma …
é no silêncio que tu te escusas de ler um volume antigo, papiro originário onde registo, um a um, cada momento, da meteorologia angustiosa e triste dos meus mais íntimos sinais.
[…e no silêncio …concluo que não sei sequer se quero ou sei, voar mais... um pouco mais, ou se, diminuta ... desisto.]
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