
Eram verdes, verdes, verdes ...
Data 04/04/2007 22:10:00 | Tópico: Poemas -> Amor
| Eram verdes, verdes, verdes as rudimentares caravelas que plantara a navegar no fundo rotundo e no fulgor dum olhar, ele próprio fundo encapelado de mar.
Eram rosas, rosas, rosas, as moderníssimas sondas com que ouvira o rebolado batuque, o nérveo gemido, do requebro das ondas. Brumas, provindas, quiçá de outras vidas. Doridas, beijavam no tremor a praia, na orla da sua saia. As vagas ... notas de amor, envoltas em redes de neblinas - geladas e perpétuas, marítimas névoas.
Eram doces, doces, ternurentas, as ternuras analogamente atentas. Rosas dulcíssimas, venturas purpúreas, cerejas, bagos d’uvas. Rios numerosos, mimos largos, abertos.Confessos abraços, vagarosos de lentos... Afagos bordados a pé de flor, em passinhos cautelosos. Meigos, pequenos, na erudição serena do desflorar uma a uma, todas as etapas, de nudez afervoradas, da cansada jornada.
Contam as cantadeiras que, nas colinas e nas dunas, em cada uma, lá, onde o Sol se abastecia, a cada findo dia no âmago da maresia, dos arquétipos lamentos, despontam evidentes Salmos Divinos. Cânticos povoam marés na voz de Ninfas, Deusas e Sereias. Falam de mares de afectos. De amantes reencontrados na corrente d’alfabetos. Epopeias, hinos, louvores supremos...Enaltecimentos poéticos, versos soltos, sonetos tamanhos... Brocados singelos beijados sem paralelo na boca dos Oceanos.
|
|