
Misantropia
Data 04/04/2007 18:40:00 | Tópico: Prosas Poéticas
| Desço a ti alma antónima Reverto contigo ao desencanto Pranto em sangue, agonia
Regresso a ti, alma perversa Turva-me a Luz Encaminha-me ás trevas Rasga-me lágrimas em copo vazio Desnuda-me Volta a vestir-me de negro-Morte
Tento-te, alma fel Entranha-te no gesto mortiço Dá-me os teus olhos fundos A palidez do teu abraço gelado
É a ti que aceno, alma crua Tombo no imo do movediço Sinto-te dentro dos ossos Arrisco o beijo no teu rosto-veneno Definho a teus pés, inerte Vulnerável acidez de impotência Ardem corroídas as veias secas Tormento voraz Calamidade interior procurada
Toco-te leve, alma arguta Roubo a fragilidade que tens de ti Depuro as tuas forças ilícitas Caio em pedaços, débeis ruinas Bebo amargor, nascido Da terra húmida em catarse Brando, lento e doce sucumbir Desamparo desejado
Sou o silêncio inteiro...
Minh' alma de mil faces Guardiã das minhas asas Desperta-me na antemanhã do sentir...
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