
EM COMUNHÃO
Data 03/09/2008 15:49:38 | Tópico: Poemas
| Entre árvores e medronhos e carícias de ervas rasteiras, caminho pela noite, tendo por detrás, a luz cristalina do luar.
Algumas sombras, que passam, são indícios de vida, que a noite acolhe, em seus braços, de madrepérola e terracota.
Chamam-me à atenção, os montes mais longínquos, de onde só posso imaginar, o que por lá habita:
flor, corola aberta, para as manhãs, de todos os dias.
Por toda a assimetria da cidade, com seus degraus, cheios de verdete e luzes de néon, candeeiros emitem uma luz difusa, rodeada de morcegos.
De repente, uma chuva insistente, molha tudo à sua passagem. Mãos nos bolsos não refreei-o minha caminhada e outras portas se me abrem, novas telas, de um mundo em ebulição.
Vagabundos, dissimulados, pelas esquinas de cartão, remedeiam-se com o pouco que têm, para se protegerem da chuva, descendo mais alguns degraus, de encontro às paredes dos prédios.
Tudo isto eu vejo, na minha caminhada solitária, noite dentro, com mais interrogações do que certezas, escutando o róscido, vingando nas flores.
Por fim – meus olhos sempre atentos –, reparam, vindas da linha do horizonte, as primeiras cores garridas, prenunciando o fim de minha jornada nocturna.
E de regresso a casa, acariciando o teu rosto na moldura, eis adormeço.
Tudo o resto é movimento e sobrevivência, de última hora… passam alguns carros.
Jorge Humberto 02/09/08
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