
Não sei onde procurar palavras
Data 23/08/2008 13:45:51 | Tópico: Prosas Poéticas
| As palavras desapareceram pelo ralo da amargura convergindo todas para um buraco negro, onde ficam prisioneiras da tristeza. O riso foge e leva a vontade, fica um sorriso pouco convincente de bom tempo. Os dias começam e acabam, todos da mesma forma, a igualdade perdura no tempo e nada muda, nada se transforma. O Sol é o mesmo, só mudam os números do almanaque que teimosamente arriscam o dia da colheita do milho, que tendo os dias contados, saberá resistir. No interior, nem sempre se consegue vislumbrar o sentido dos acordes do cavaquinho, a melodia arrojada marca a abertura da caça aos gambuzinos. Chegam as primeiras chuvas que alagam os beirais, onde outrora a vida se fez. Os canais transbordam e rebentam em soluços profundos, capazes de enrolar o mais doce sorriso. Os pintos treinam os voos rasantes de pastas às costas, prevê-se uma longa e atenta vigília com as letras.
Pouco muda, mas o tempo, esse desgraçado, não perde uma para nos afrontar e marcar silenciosamente.
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