
RETROSPECTIVA
Data 21/08/2008 09:02:19 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Recortei, em tempo-criança, Um coração de papel, E brinquei com a esperança Dum amor sempre fiel.
De tanto andar junto ao peito Do meu precoce namorado, Acabou roto e desfeito, Como o nosso ardor - apagado!
Escrevi, em tempo-ilusão, Uma doce carta de amor, E escondi do meu coração A ameaça crua da dor.
Mas perdi-me nesse instante Por não soltar o meu grito. E a ferida, dilacerante, Ainda hoje, em mim, a sinto!
Prendi-me, num tempo-jovem, Numa teia de paixão carente, E quis sonhar o meu homem Sem ver seu fundo, de frente.
Deixei arrastar minh' alma Na lama dum rio sem foz, E só encontrei maré calma No veludo da tua voz...
Senti, em tempo-efémero, Sabor de terna comunhão, O roçar de almas-gémeas, No toque quente da tua mão.
Mas o fio do meu prumo Feriu as cores do arco-íris, E forcei o nosso rumo Por entre as dores que não quis.
Olhei, em tempo-final, As pegadas que deixei, E vislumbrei um sinal Do futuro que não sonhei...
O tesouro que amealhei Parece ter novo brilho Nas trevas que desflorei, Ao desbravar meu caminho.
Guardo, no limiar do Tempo, As riquezas partilhadas, Das lágrimas que não lamento, Das alegrias roubadas...
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