
O TEMPO… NOSSO ALGOZ
Data 19/08/2008 13:16:38 | Tópico: Poemas
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E o tempo, carrasco e intransigente, nem se dá conta, da leve brisa nas folhas; no rio que passa, em todo o seu esplendor; nas flores abrindo-se, para o sol matinal, numa entrega total, que a mãe natureza nos empresta, para os sentidos mais apurados.
Relógio bruto, de todas as angústias, ao Homem, uma mão cheia de nada, lhe delegou. Do trabalho para casa, de casa para o trabalho… que lhe diz o vento, que passa? Que é vento e que já passou…
Ponteiros bruscos, criaram raiz, no verdete das estátuas; no aglomerado das aves, sempre iguais: constrangimento aflitivo, de quem se vê privado, de sua espontaneidade.
Já nem há tempo para o tempo, dominados que fomos pela sua tirania, onde o que conta são as normativas restritas, que não nos contempla, de tão ínfimos que somos – descartáveis.
E entranhando-se nas esquinas e nas escadas, tudo controla, desde os passos mais apressados, ao bom-dia, que não chegou, a quem connosco se cruza nos caminhos viciados.
Quebrem-se todos os relógios… ignore-se o tempo, que nos castra, pensamento e acção!
Jorge Humberto 18/08/08
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