
A folga do poeta...
Data 18/08/2008 10:26:33 | Tópico: Poemas
| Apetece-me escrever sobre o mar... Sobre as ondas que nascem tão cheias de orgulho e fortes e depois logo morrem com vergonha de engolir o mundo numa só vaga... Apetece-me escrever sobre o céu... Aquele infinito que tantos poetas cantam no papel mas quando olho pela janela... vejo nuvens e mais nuvens... e nem se quer sabem a algodão doce porque já as tentei soprar , mas são tão espessas que nada as remove do meu cenário pintado com tinta azul... Alguém roubou todas as cores do meu tinteiro... e eu imagino um horizonte coberto de tons cinza... Apetece-me escrever sobre o amor... Aquele sentimento tão imenso que nos leva a ser crianças 24 horas por dia sem nunca hesitar em dar o salto... o salto em queda livre... a queda para o precipício.. O Amor... Divino...sorrateiro...encantador.... Farpa que cega o olhar mas o rasgo fica no peito... Gesto celestial de entregas e partilhas por vezes tão debilmente equilibradas... Eterna fonte da juventude... curiosamente salgada quando chega ao fim... A única eternidade que termina.. mas não é falsa...é só fraca porque se deixa abater bem devagar batendo com a cabeça contra os teus sonhos. Apetece-me escrever sobre o ódio... Sentimento banal mas recheado de tanta verdade naqueles ossos ingratos... Tem lágrimas geladas a caírem-lhe incessantemente pelo rosto abaixo por isso dizem que o ódio é um sentimento feio... e ele acredita e sente raiva por ser assim.. um monstro tão hediondo que na verdade só quer voltar a ser bela adormecida... pura e doce sem mágoas nem despedidas a rasgarem-lhe a carne de seda... Talvez por isso o ódio não goste de mim.. não se dê bem com o ar que respiro... Sabe que já fui fada e tinha magia na ponta dos dedos e que bastava abanar uma varinha de condão para esquecer que o ódio existe porque só o mel me entrava regularmente na boca... Mas eu também não gosto dele... calha bem.. assim o nosso Amor não resiste... E o mar ainda tem ondas e vagas fortes para me afogar se me fartar da tranquilidade dos rios... E o céu ainda pode ser pintado por mim com a cor que bem me apetecer... Por isso se acordar com vontade de o ver púrpura.. púrpura para mim será! E de nada vai valer ouvir vozes de burro pedindo estrelas e luares de prata porque se eu quiser dentro de mim o céu também pode ser breu como pode ser um arco-íris com cores nunca vistas pelos mortais... Porque se eu quiser ser Feliz... não há dor nenhuma no mundo que me consiga impedir de sorrir de novo para o mundo... nem que tenha que construir o meu sorriso dente por dente... Por isso.. Hoje não acho que não me apetece escrever sobre nada... escrevam vocês por mim... escrevam vocês em mim... porque hoje os meus dedos têm fome de leitura...
Daniela Pereira Direitos Reservados
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