
Argueiro
Data 14/03/2007 00:10:00 | Tópico: Sonetos
| Numa centelha trepida a qual rebentou-se de teus lábios Como gota apoucada que se rebenta por sobre um balde Fez de ti gosto e dissipou-se donde tudo me é debalde Nada me resta, não me consola a explicação dos sábios
Foste tão pequena a mim como seu deu tal vastidão? Seria formiga entre os campos verdejantes sem fim Mais parece ao ser como a carne cauta no aguilhão És uma pequena ferida que se fez lepra em mim
Não me darei á praga sorte de emboscar em ti descanso Tento uma cura, para de tuas arestas n’alma desvincar Enfermiço, ira-me o mundo, a alma cova, o corpo tanso
E fica a calma, á sorver a dose, desde o dia que de ti se deu Donde embebes desgosto perdulário, faz-me dor apurar E mancha a lembrança, dado ao desamor, se empardeceu.
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