
É infinito o encanto e infinda a dança
Data 13/03/2007 23:03:04 | Tópico: Poemas -> Amor
| É infinito o encanto e infinda a dança quando adormeces nos galhos de noite e, virgem de afectos, acordas tal criança, enroscada em filamentos de gaza, pela luz rutilante d’alvorada ...
E quando os meus dedos ágeis deliram sobre os poros abertos da tua pele rosácea ... No toque e no afago.
Cerra os olhos, foca-te no piano que toca, cerra-me artérias, veias loucas, nos sons dum ousado, segredado Tango. E no declinar do queixo, delicadamente no teu peito.
Projecta bem longe, em planícies de mares, a magia de nós, almas enlaçadas sobre lençóis lavas d'águas fulgurantes.
Repara que já é dia... que no cimeiro monte, há muito canta a Cotovia, e que o nosso tempo, se esvai, compasso ardente, (Pois este segundo mudo, dura apenas um ápice d’instante.)
E que cada enlace de andamento desenhado com o corpo, cruzado, sibilante, pelo ar, emerge para além de mil Marés de Neptuno. No encanto... projectando o aprumo dois corpos adjacentes em eterno viajar.
Que deste gesto, dissipado, vagabundo, de linhas finas, apenas baba, apenas espuma ... restará no firmamento, o cetim d'odores sem fim, guardados no silêncio, cofre secreto - - mas permanecerá aqui, até e para além do teu regresso -, a enfeitar o meu Mundo!
E que na matinal alegria das palmas cravadas na raiz de um novo dia, na andança, no rodopio desta dança, serás Pierrot, a ofuscar estrelas, luas cheias de luar... Porque tu, sim... Foste feito para brilhar.
Como uma estrela que cruza os céus, dança a Valsa, dança o Tango E deixa que a Alma se eleve e te domine ... Dança, uma melodia sem fim ... Sejamos então .... simplesmente, Pierrot e Colombine...
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