
Iemanjá
Data 16/08/2008 18:26:36 | Tópico: Poemas
| Carimbei esta última passagem Para o resto do lado de lá, Contei todos os degraus da escada, Soltos de parafuso em parafuso, Olhei o espelho esquecido da imagem Deitado no regaço materno de Iemanjá Corpo de Sereia em olhos de Fada, Vestida de grave saber profuso.
Senti brotar em minhas veias O curso do rio que alma me lavou, De margens feitas de beleza, Cantado em som de harpa Celta. De mãos amordaçadas por teias, Com olhar que o tempo matou, Rosas alvas, pétalas de incerteza, Perfumadas, de face esbelta.
Murmurei teu nome neste conto Entre danças de Sátiros e Duendes, Flautas mágicas da tua floresta, Uranos e Neptunos que casam sentidos Em céu pintado, ponto por ponto De brilhos, como só tu me entendes, Como o todo o pouco que me resta Nos últimos dias por ti repetidos.
Fogo fátuo que me ilumina as façanhas, Que tudo me diz por voz silenciada, Lê o amanhã em conchas de mar, Nas rugas que os anos escavaram Por entre o passado, nas entranhas. Diz-me da sorte bem e mal amada, Dos passos, do dizer que se quer calar Entre nossos amores que o mundo pararam.
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