
[não há palavras proibidas]
Data 07/08/2008 21:52:36 | Tópico: Poemas
| não há palavras proibidas nas mãos de um poeta não há porque todas as palavras são pássaros em fogo em suas mãos
que se fodam os versos castrados nados do servilismo do comércio das trinta moedas de judas traindo o poema ferindo-o de morte
não há palavras proibidas nas mãos de um poeta não há porque todas as palavras nascem para ser ditas ser cantadas
até as putas que se exibem nas dobras do poema em cujas tetas mamam as metáforas as luminosas jóias da coroa ocultas em quarto fechado bem longe da plebe merecem o olhar do poeta
não há palavras proibidas nas mãos de um poeta não há porque todas as palavras são pétalas brilhando para o sol
e digo que não se vire a cara ao miúdo que esmola pede à beira da estrofe nas suas mãos respira o verbo a palavra fome e há que dar-lhe espaço no corpo do poema que salta para a rua como pedra contra as vidraças da indiferença
não há palavras proibidas nas mãos de um poeta não há porque todas as palavras têm no olhar a urgência do parto
e reclamo exijo que todas as palavras se amotinem não temam o chicote o capataz a voz dos bufos dentro das paredes porque é arma o poema granada que rebenta nos sentidos quando as palavras livres esvoaçam
não há palavras proibidas nas mãos de um poeta não há porque todas as palavras mas todas as palavras são das ruas
Xavier Zarco www.xavierzarco.no.sapo.pt www.euxz.blogspot.com www.xavierzarco.blogspot.com
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