
Diques & Rebites
Data 10/03/2007 23:03:22 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Vivemos no rosto das dúvidas dependurados em gruas perpetuamente paradas. Sem estradas, pressentimos moradas antigas desabrigadas quando o telemóvel não se ilumina com um toque no ecrã.
Adivinhamos que o ontem não terá força no amanhã. Que a viagem acabou antes de sequer começar. A lágrima teima em rolar. Teima em se perpétuar rolada no alfato.
Dispensamo-la!
Então, tamponamos os dique, cravamos-lhes rebites, atulhamos a Alma, remendamo-la com uma agulha feita de erva-cidreira. À maneira!
Rebobinamos a quente o inocente filme. Anunciamos o FIM na noite niilista do sangue anavalhado de esfíngicas, apostólicas dores.
Agora, as horas maniqueístas cobrem-se de líquenes e os sapos peregrinos entram-nos p’la boca e devoram-nos os intestinos.
Agora o quartzo das horas embacia-se no estremecimento do silvar da serpente! Sem pernas e sem sementes, descuidamos para sempre o feed-back ao destino.
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