
O Neurastênico
Data 29/07/2008 15:09:28 | Tópico: Poemas -> Góticos
| Sou a eternidade consumida no próprio vazio Cambaleante em aparência decadente, Solitário múrmurio vago e lacrimejante de caminho escuro, Tangível como o medo evocado pela possiblidade de enlouquecimento.
Sou o para sempre amortalhado que olha acima e abaixo no distante limiar de campos inférteis Que jamais esquece,acumulando dores e desejos Nascido já velho adoecido,aquele velho que viu o mundo corroer-se a sua volta, Quando os braços não obedeciam e restou o desiludido fim, A neurastenia furiosa de oníricas visões de batalha final sem direito a redenção.
Eu deito na lápide do filho que jamais terei,no amor em chamas que cauteriza nobres intentos, Eu devoro os pecados dos santos tombados pelo esquecimento, Persigo o sofrimento em passos arrastados que alcançam mais do que o profetizado, Estendido cresço,descomunal titã esquelético de olhos fundos na face encovada, Aprisionado por inexplicáveis ataques de trêmulos movimentos embaraçados.
Por vezes atinjo o total êxtase letárgico, Mas persisto em sofrer,uma dor pungente que trai minha condição cadavérica, Nas vozes sem forma, ecoando suaves na minha mente e apenas nela, A incerteza do que é real além da tristeza costumeira.
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