
MARTÍRIO NEGRO
Data 25/07/2008 18:51:07 | Tópico: Poemas -> Sociais
| MARTÍRIO NEGRO
Ao longe vislumbrava-se a Nau Na negra sombra da noite Corta ondas dum mar mau Na crista da vaga seu açoite No tombadilho ia o martírio negro Eram escravos de sua negritude Seus olhos choravam o medo Caindo lágrimas de brutal virtude
Aguardam a sangrenta cidade Que suas vistas já alcançam Esperam dos senhores crueldade E a chibata que p´la ponta dançam E as aves canoras embalam Cânticos de dor terrível Para os escravos que não falam Da sua raiva compreensível
Tambores retumbam a chagada Das naus que vinham de África Traziam miséria e a morte esperada Como linha de montagem de fábrica E naquela barbárie loucura A razão não impôs seu juízo O mundo não sabia dessa tortura Que hoje devia ser dor e prejuízo
Como foi possível tal calamidade Em séculos que se pensa passados Mas hoje há outra montruosidade Em seres igualmente mal abençoados Que também partem p’ra longe Em aviões modernos super lotados Procuram vida que não é de monge E encontram futuros confiscados
De: Fernando Ramos
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