
A Escrita
Data 22/07/2008 19:41:07 | Tópico: Textos
| Naquele dia, os amigos debatiam as suas diferentes concepções da escrita: Wirsung analiticamente iniciou: - É verdade que por vezes questionamos o valor do que escrevemos, indagando-nos da força destes comprimidos de pensamento, do seu conteúdo em miligramas de entendimento. Desejando escrever algo de definitivo, imaginamos ilusoriamente transformar, principiar algo de novo. Assim, a escrita poderá, apenas, ser a materialização dos sonhos imperfeitos – notem que resisto à tentação de dizer “sempre”… Álvaro Urbano, muito sucinto e minimalista, resumiu: - É coisa fugaz e irremediável, portanto histórica. Ana receitou, da sua experiência de vida: - Titubeando no mundo do Intervalo, o ideal é deixar solta a Imaginação, deixar correr livre a palavra, escrever “em bruto”, directo a seguir ao pensamento. Luciana criticamente pincelou: - Circular pelos traços das avenidas literárias, cercadas nos campos da visão estreita dos “ismos” da moda, em escrita linear e fechada num só plano, é cavar o fosso dos intelectuais-intelectualistas, a quem o povo nunca dará o seu entendimento. Domingos trouxe da bancada o exemplo: - É como madeira trabalhada, pronta a ser olhada, tocada e cheirada, antes de ser arte ou utilidade. Henrique, de olhos líquidos: - No fulgor da palavra pura, deixamos fixar o nosso pasmo de encantamento. Luís, de olhar iluminado: - Na poesia da brevidade, deixamos correr o fluxo vivo de quotidianos inexplicados. Capítulo 22 de "Lúcido Mar"
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