
Chamamento do Jaguar
Data 07/03/2007 22:47:55 | Tópico: Poemas -> Amor
| Na noite, esta que nos une, nos agrega, Oiço-te mar, ermitã errante e vagabundo… Uivos dilacerantes, agudos, fundos, reentrantes - percorrem-me canais, artérias e veias, em felinas Luas Cheias … Avanças, ocupando extensos areais, territórios recônditos, infinitos … Na força golfada aberta dos teus gritos. Sinto a terra vacilar sobre os teus passos, demarcando em mim todos os espaços… Oiço-te, alongado ao grito em chamamento felino, pungente, indomável fortaleza; (re) conheço-te os sons, a rouca tosse, o hálito, bafo acre salgado e quente... Avanças... em forma d’ondas alterosas formas de montanhas - som vibrado do corte de serras sobre a seca lenha… Conheço-te nos errantes aulidos, a tua voz… Indomável... Louco... Desabrido... Sei-te o sentido … Chama-se posse! Que de mim, te apoderaste, da alma ao corpo, Animal uivante, num só rosnar e Jaguar, errante, te enrolas e te mesclas e te colas num incessante rosnar e na candura serena do miar. Bicho sexuado... Jaguar … Mar em forma de animal. Sem piedade, sem temor, com a leveza e a subtileza de um Condor, sobre a areia, avanças. Dela fazes o teu palco, o repasto, a lauta ceia, Floresta tropical … e eu Sereia, oculta sob a concha ostra, camuflada, tombada de cansaço na enrijecida areia deixo que gotas pérolas lacrimejantes deslizem no ritmo lento das tuas garras, sobre o meu ventre, que te deseja e te consente e, sejam elas a água doce com que, Oceano te lavas,no estripar de mim, que a ti Mar-Jaguar me ofereço assim.
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