
Sonhos infantis
Data 22/07/2008 10:18:02 | Tópico: Poemas
| Quando as memórias de infância Não passam de lágrimas, fielmente brotadas umas a seguir à outra diante de um espelho de imagem turva Quando tudo o que dizes… Sentes… e… escreves Já não faz sentido… Quando tudo em que acreditaste Não passa da mais nua e falsa mentira A mentira dos teus sonhos escondida algures na tua mente de menino sonhador A mentira dos teus medos… Os monstros de noite Que te visitavam e que obrigavam a ficar quieto, para dormir… Esses mesmos que nunca vieram… Pois já cá estavam… Algures nesse teu coração… Os mitos… Esquecidos… As lendas… Desfeitas… As histórias… Bem, vives dentro de uma… mas só que é triste!…
Mitos Lendas Histórias… Com tanto viveste… Sonhaste… Sonhaste que tudo tinhas apesar de nunca teres tido nada… O emprego fixe… A casa porreira… A mulher branca desses mesmos sonhos!… Tudo e todos felizes… Paz! A família…toda!...
Nunca nesses sonhos sonhaste o pesadelo que haveria de vir e que haverias em cada lágrima; de viver… Nunca pesaste o que haverias de sofrer Os gritos no silêncio… Nunca imaginaste que esses mesmos acontecimentos te fizessem morrer… Na dor… Da verdadeira perda do verbo perder O primo… Com quem desabafavas nos momentos de solidão… E que viste percorrer a última viagem Sabe-se lá para onde… Pai!... E a perda de quem perdeu muito mais… muito…muito…mais!
O sentido O caminho As lágrimas… O amor… chorado numa caneta… A perda… dos próprios sonhos Os sonhos felizes Em que sonhavas dizer: ─ Amo-te… P’ra toda a minha vida… “─ Prometo amar-te… Respeitar-te… para toda a eternidade… Até que a morte nos separe!...” Coincidência das coincidências?… Separou! A morte dos meus sonhos A morte da realidade luminosa em que vivia sonhando… Talvez até a minha própria morte… tenha destruído tudo em que acreditei… Tudo em que sonhei… Tudo acabou!… Quando encarei que não sou eu que guia a minha própria vida da maneira que quero… da maneira que sonho! Talvez tenha morrido Quando olhei a realidade suja e fria… do espelho turvo… Que sempre reflectiu… nada mais… nada menos… Que a minha própria imagem… Suja… e fria… A propósito… Parabéns!...
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