
O SOL SOBRE MIM(O HOMEM DA CADEIRA DE RODAS)
Data 20/07/2008 17:30:10 | Tópico: Poemas
| O SOL SOBRE MIM (O HOMEM DA CADEIRA DE RODAS)
O homem, sentado na cadeira de rodas, analisa O momento: disseca o céu que, em expansão, caminha: Caminha em passadas paulatinas. Por outro lado, o varão bivaga a querer sair com sua, hoje em dia, Tão vulgar e, ao mesmo tempo, tão insólita locomotiva. Sair á Rua. Respirar a cidade. Ativar a sua vida de esquerdo-militante, Detida na bruma do não poder calcinante, atroz, infeliz, Medusa! Marcar com um companheiro de ex-legenda: sim, ansiando por Vê-lo e discutir ou quem sabe ajudá-lo em seu brilhante projeto, Outrora, Sumariamente relegado á fria prateleira do descaso, O qual jaz soturno, ambíguo, nevoento, sepultado. Prateleira de Quem não quer semear a Revolução na mente de ninguém. Oh, Sim, a verdadeira Revolução Gloriosa: A revolução que pode Operar o povo, Que podem operar as pessoas hoje mortas. Que pode operar o Hoje chamado rebanho de massa de manobra. Ele quer visitar uma exposição de quadros. Assistir á encenação D’alguma peça. Ah, como gostaria de integrar uma amical e Controversa pleiástica roda de ignotos poetas. Enfim, apreciaria ajudar, como fomentador da cultura, A nação alijada e oclusa nos presídios das chagas e das mazelas, Chafurdada na sádica areia movediça da sarjeta que os lacera, Encerrada dentro da masmorra sepulcral da tortura que os molda Besta-fera. No entanto, ele em casa... Porém, ele já fora da sua automotiva cadeira... Entretanto, jazido sobre o chão de sua alcova lúgubre e acerba, Ele compreende a factual envergadura da magnitude de sua acre Insignificância e impotências.
Compreensão que se transmuda em convicção: Convicção que se avoluma na medida em que sua família Uma ignominiosa palavra degusta: --- Vadio! --- Eles falam, chamam, bradam, urram! Não, mas ela perde seu efeito ferino, Pois algo o motiva. Sim, ele ouve-escuta, ao longe, Um exemplar do rei dos mitômanos em comício. Porfim, sobre o circo, os mecenas e o dono, ele exara. Exara co’a Destra, não á esquerda: Porque esta é falha, falha de nascença. Aliás, como o mesmo o é em toda a sua opaca inteireza.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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