
Despontámos, renascidos da Chuva diluviana...
Data 06/03/2007 17:40:03 | Tópico: Poemas -> Amor
|  (foto de Mel) *** Despontámos, renascidos da Chuva diluviana, provinda do fundo profundo dos Oceanos de bruma, que nos empapou os papiros de memórias.
Despertámos ungidos dentro de um manto brocado de águas cristalizadas. (Re)tecido por milhões de anos-luz de espera, na poupa d’alvas espumas, incendiadas na vertigem da fogueira das horas.
Emudecemos, suspensos no espanto e na sabedoria dos corpos e das Almas, ágeis, voláteis no acerto e no compasso. Tecelões do barro, no tecer do sacro linho sobre o fuso de seculares rocas.
Ainda a medo, acasalámos os dedos ... entrecruzados, na raiz do vórtice em que o grito se solta livre da garganta; Em que de nós, liberto, é Eco. Se enfeita em galerias de delicado Abetos, sons das florestas, chilreios de pássaros, correrias desabridas de crianças. Na esperança e na certeza de sermos uma só peça, de um puzzle em reconstrução.
Refulgimos por fim líquidos, dentro das seivas e das salivas da carne das nossas bocas e nas veias avermelhadas dos astros, semeados no ocaso, e ali no verde profundo dos lagos do meu olhar, pelo negro dos teus olhos de chumbo.
Amamo-nos agora, num contínuo descontinuado, sem princípio nem fim, na candura do pecado, sem atender à hora, do nascer ao pôr da aurora ...
Amamo-nos assim, como dois loucos, diluídos na geometria reconhecida da matriz dos nossos corpos.
|
|