
Ao meu filho por nascer
Data 10/07/2008 13:33:59 | Tópico: Poemas -> Saudade
| Aperta as pernas com força, para que o filho não lhe caia.
Mas depressa o sonho se esvai mar vermelho, águas soltas, tempo de espera num pedaço de ilusão.
Sonho-te cada vez que te pressinto. E acredito sempre que é agora.
Por isso deixei crescer o meu cabelo para que brincasses com ele. Por isso, disse a alguns amigos que estava cheia de ti.
Cheia de vida nova, palpitante, repleta de amor.
Tanto amor que tenho para te dar
Por isso, não me incomodaram as dores do peito a crescer, os enjoos e as tonturas, a incerteza do instante seguinte.
Tenho (há tanto tempo) guardado para ti em segredo, um nome que sei ser o teu.
E de tantas vezes que te aguardo, sem te saber esperar, nasce em mim uma luz brilho de olhos coração aberto, assim o meu colo, ainda e já vazio de ti.
O meu corpo envelhece, a esperança esmorece, a natureza vence.
E eu aqui, embalando-te ao som de uma canção, imaginando-te a cor dos olhos e o tom do teu riso, fazendo caracóis com os teus cabelos em desalinho, apertando-te contra o peito, para que continues a crescer dentro de mim e não te desfaças em rios de sangue, pedaços de nada.
Amo-te em cada menino de rua.
Tanto amor que tenho para te dar
E então, num gesto de quase tudo, recosto-me na cadeira de baloiço em que te iria amamentar, sorrio à musica, fecho os olhos, fixo o teu rosto ainda por definir e despeço-me de ti.
E uma lágrima vem, lentamente, pousar-me no olhar.
15 Maio 2008
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