
É inútil procurar-te
Data 04/03/2007 18:47:57 | Tópico: Textos -> Amor
| Onde estás? Onde? Não te encontro nos passos que arrasto por ai... sem te ver, sem te ter, sem te tocar ou sentir. E como eu te queria sentir novamente... Rasgar gestos de loucura por entre os dedos dormentes e tocar-te só mais uma vez, só mais uma... Não quero o deslizar inóspito destas mãos que derivam sem porto. Quero-te apenas a ti sob elas. Será que me vês perdida por ai? Se sim, porquê te escondes? Por quê me enganas com os suspiros que sinto ao meu redor, a roçar em mim, tal como o vento que teima em bater no vidro de uma janela fechada? Ouves-me quando te chamo? São tantos os momentos em que o meu silencio grita por ti, mas são ainda mais as vezes em que tudo me parece mudo... e é tão difícil ouvir o eco do silencio da tua voz a bater e bater constantemente dentro de um turbilhão de sons utópicos que se confundem e misturam com a realidade passada da tua melodia. São questões fúteis que tomam conta de mim no dia a dia? Não é a futilidade o que me domina, é a saudade. Sim, porque te surpreendes com o que te digo? É saudade de ti... saudade das tuas palavras reconfortantes que me dizias... saudade do teu colo que me embalou nas noites demais... saudade do teu aconchego que me tomava nos braços e me fazia sentir protegida das atrocidades da vida... saudade do abraço que me beijava e me dava a verdadeira noção de mundo perfeito. E tudo isto para quê? Por quê? Não sei. Nada mais te trará de volta a mim, ao meu sorriso perdido... não adianta gritar, espernear, protestar contra as forças naturais do mundo... nada... a inutilidade dos meus esforços é tão inútil como a tentativa falhada que um dia fiz. Apenas quero que tenhas presente a minha presença, onde quer que estejas, onde quer que a imortalidade do tempo te guarde... pois eu sei que o meu tempo é feito pela presença do teu, do meu, do nosso tempo construído por entre muralhas de pedra que o tempo nunca derrubará.
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