
Grito ... (Não me peçam que desista)
Data 04/03/2007 17:04:00 | Tópico: Poemas -> Amor
| Não me peçam que desista de ouvir o coração ... Não ... não!
Que encho os pulmões e lanço no ar, como balões, este meu grito... Grito ...
Não me peçam, que a minha dor recusa... neste nevoeiro, neste confusão a ouvir a buza... Sim, que estas nuvens são já de mim, em cinza vestida no caixão, a veste de que se veste a minha Alma muda ...
Mas, por favor .... Não, não peçam que me esqueça de te amar, porque de te esquecer me quedei até acabar por morrer por dentro.
Não, não me peçam para a adiar para outra Vida, sonhos, ilusões, emoções, agitações ...
Que os embrulhe num qualquer papel pardo, de embrulhos, de sacos vazios e fundos ... Que desses, sem nada dentro, me encontro cheia há tanto tempo ... sacos de farinha, solta ao vento ...
Não, não me digam que sou Louca, que sou tonta, que oiço o piar da cotovia, muito antes do abrir da aurora, noite a fora ... Que não oiço o restolhar da cigarra, quando no campo o Sol se queda, é meio-dia...
Não, não insistam na loucura da razão, que da lógica do coração vocês se calam, falam apenas do que ouviram dizer, que de saber, de sentir, se fecham ao devir ... e, se julgam maiores, por omitir ...
Serei gota suspensa em fio da navalha, serei abismo invertido, serei Rio que sobe e desliza, não para Sul, mas para Norte, serei a Vida acasalada com a própria Morte, serei água de que se alimenta o fogo, serei a fruta que nasce fora de tempo e o vento que cansado de soprar decide que o melhor que tem a fazer é só cantar ... num Blue Tragédia, que não é Opera, não é Fado, nem sequer galopa em cavalo alado...
Ventos ... bridas dos tempos de eterna bruma e, das nuvens de algodão doce, a sua espuma.
Sim ... serei gota que sobe, que se eleva... Terra que cobre o Horizonte, fazendo a ponte... Céu a alcatifar o teu chão ... E no fim ... a mão pousada na tua mão! Sim!!!!
E no ar, a mergulhar a rir e a esbracejar ... peixes de mil cores em movimento, E pássaros a voar Mar adentro ... na Teia fina de neblina e do pensamento!
Sim, porque se me pedem que esqueça, que não oiça o grito deste coração aflito, vos digo: Invertam o Planeta, tal vos indico e, do que me dizem, farei então o mote e a regra... Vos faço eu aqui, nestas palavras, a promessa! Mas ... Invertam o Planeta!
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