
Antes que amanheça (I)
Data 04/03/2007 11:43:18 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Antes que amanheça, antes que o dia seja mais do que neblina estiraçada na orla esmaecida da praia, areia e Lua cheia; Que o Sol desponte sobre os outeiros e nas palmeiras; Que os cisnes enfeitem de branco aveludado Espelhos de Lagos…
Antes que amanheça e, me coloquem sobre as mãos sem cor Rosas pálidas de dor, e que postas as mãos aguardem a carta de amor que nunca me escreveste …
Antes que amanheça e os meus lábios sejam gelos poentes… E a língua não se solte mais sobre cerrados dentes …
Antes que amanheça, e esta lagoa (Praia da Gamboa) não seja mais o berço, a baloiçar no ameno de uma vaga ... Seja apenas a tábua de um caixão e, eu apenas um Ser étero, esvoaçante …
Antes que amanheça e a luz do amanhecer, me encontre com cerradas pálpebras, E nos meus olhos feneçam todos os verdes brilhos... Antes que eu amanheça de unhas cravadas no abismo … no nada … (Estou tão cansada…).
Antes que eu amanheça … Gelada, no estiraçar de braços, bandeiras e lenços.. (Esgotadas as forças de içar a voz…)
Seja eu já menos que o Eco, ecoando as penas…
Antes que eu amanheça, em lívidas faces … Seja cor do cinza pintor deste final de tarde…
Antes que o silêncio que te deixo sejam apenas palavras breves deste derradeiro poema…
Folhas soltas de uma singela margarida, Folhas de um tempo … desfolhado nas pétalas de uma flor … num só tempo reencontrada e tão perdida… (Uma flor a sépia, filme antigo de um amor contido).
Antes que amanheça e, sobre mim esvoace uma andorinha… Frágil, bela … esvoaçante e… migrante … a preto e branco.
Eu te digo, amor, amigo … apenas:
- A Vida é, ela própria, Andorinha! E, a Morte é da cor de um negro e sinistro condor… de pretas penas ...
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