
Corte de Cabelo
Data 26/06/2008 21:37:48 | Tópico: Prosas Poéticas
| Envio: Deixo-te este poema Confuso, absurdo, comprido, Para que o guardes como um velho trapo, Aos pés da cama, para que o guardes, E um dia o encontres, confuso, absurdo, enorme Num dia igual a este – quando já não estivermos – E sob o duche recordes Que um dia te quis – mentiras e mentiras - Que um dia te quis – era um dia de Julho – Com palavras usadas, como um disco riscado, E recordes, meu amor, esta letra de tango. “ Juan Luís Panero
Corte de Cabelo
Não te peço um poema de amor tecido por teu próprio coração, a tecer o meu, em teia caprichosa. Pois, meu amor, encontra-se na simplicidade de nós, sem corais, sem pedras preciosa incrustadas. Circula no pulso, no dorso, no peito dos versos silenciosos.
Caso não saibas… Há versos silenciosos sim, submersos versos na opulência do ser, que emergem quando nos sentamos calados, embevecidos pelo acto concreto de sentar, calar e ver.
Por isso,
Falo-te do poema brutal, Do dialéctico que reside no fundo de um poema No restolho da ilusão No amor No desespero Nos devaneios Nas vertigens da imaginação.
Não me envies pois, qualquer coisa para aumentar meu amor, meus versos, meu poema Que amor? Que versos? Que poema? Que palavras atravessadas? …Mas que sede! Que bruma!
Amanhã saberás…desenhar o amor com versos meus, a cores de metáforas, escorrê-las do teu cabelo, sobretudo quando andas muito tempo sem os cortar… Tem versos de amor pendurados.
Peço-te-os!! Horroriscausa
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