
Deixem-me a Paz
Data 18/06/2008 16:51:05 | Tópico: Poemas
| DEIXEM-ME A PAZ!
Deixem-me a paz! Que eu saberei o que fazer Por esses caminhos que avanço Por esses lugares que alcanço Por esse horizonte onde descanso Deixando-me amanhecer.
Eu sou aquele Que não parte Desta parte Que me parte A alma em mil pedaços Esquartejada por abraços De intuitos devassos Por todos os espaços.
Ordeno uma vez por todas Mesmo sabendo que não há ordem Em meus pensamentos e em meus passos Mesmo reconhecendo a rectilínea desordem Dos meus vorazes sentimentos sem cansaços Deixem-me a paz!
Pudesse fulminar o desacerto angular da raiva O insolente desacato imposto pelos anjos do caos Que entoam as hossanas do ódio e da maldade Pudesse eu ceifar a erva rasteira dessa conjura Que brota nas margens de um pântano disfarçado.
Pudesse ser um mero esquecido pela existência humana Um louco inimputável que ninguém condena por piedade Um marginalizado sem queixa alguma de abandono social Um sem abrigo eternamente agradecido pela sua condição.
Se eu pudesse… ai se eu pudesse… Mas eu não posso calar meu grito Quando me sonegam a herança Milenar da paz de Cristo Quando me ocultam a imagem Plácida de um amor crucificado Quando se mancha de sangue A toalha do advento sobre o altar.
Deixem-me a paz! e eu dar-vos-ei a paz do meu silêncio.
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