
Folhetins de Sol & Lua
Data 15/06/2008 13:16:18 | Tópico: Acrósticos
| FOLHETINS DE SOL & LUA Maria José Limeira
O santo do meu altar tinha um sexo-petisco. Ouvia pássaro cantar. O seu nome era Francisco. Filho do latifúndio, despojou-se dos seus bens. Fez discursos no gerúndio. Mudou de roupa e de gens.
Ao invés de ódio infindo, tomou amor para si. Do feio fez tudo lindo. Cantou música em mi. Chamou o sol de irmão, e a lua, de doce dama. O bater do coração dá as horas de quem ama.
E a comunhão foi tanta, com a terra e o ser vivente, que hoje quando se canta sua oração comovente, a Natureza em respeito levanta as mãos para o céu, e o que não tem mais jeito muda o amargo em mel.
Soldado, diz a soldado: baixa as armas, vem cantar. Todo ser espoliado um dia vai se juntar. A bala que atinge cega. Dor que esmaga vai passar. Todo sofrimento é brega. Toda música tem luar.
Enquanto se abrirem flores, houver pássaro no infinito, e alguém morrer de amores, o meu santo vai ser mito. Pois quem tem sol por amigo e lua, por ser amado, não ficará sem abrigo, se esquentará do meu lado.
Soldado, diz ao comparsa: transforma em rosa agora a bala que mata e caça. Joga indumentária fora. O que Francisco falou sobre esquecer e perdoar já foi Outro quem ensinou. E é tão fácil voar!...
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