
Minerva
Data 14/06/2008 21:28:40 | Tópico: Poemas
| falar de silêncios em silêncio no mutismo olímpico dum teclado, desta eterna busca de partilhar o verbo e o desassossego da alma…
partilhar o tempo, meu amigo, num rendilhado polissémico- semânticas de recorte fino, aglutinado -, mesclas de crivos e ajoures, pontos antigos, com que se bordaram lenços dos namorados
[e ponto cadeia, ponto grilhão, pé-de-flor…]
na flor da rosa, e no seu cravo.
ritualizar ritmos, toques mágicos de dedos no tempo indolente de desfolhar registos guardados em memória: - tempo sem tempo que se enquista em nós e nos habita por dentro e recidiva, uma e outra vez, endémico, maior…
dedilhar as letras consoantes, vogais breves, abertas ou nasais, como quem dedilha um alaúde em aluída febre no corpo inaugurado duma mulher
amante
em fogo. em chama … e lhe oferece por entre os dedos a beber a água cristalina da sua própria fonte: Minerva a fonte e a fome de se saber, poema.
e, nesta entrega, nesta total plenitude, encontrar a essência, a natureza paladina, a primeva seiva, com o sangue a borbulhar a pele da alma e dela comungar a hóstia sacra da palavra ao palmilhar sem medo soleiras e portas do Caminho de Santiago.
sucumbir plena na ternura trémula dum afago.
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