Segundo Beijo

Data 13/06/2008 18:27:09 | Tópico: Poemas -> Dedicatória

Sempre desaparecido, sempre incógnito, sempre ausente...
...mas, mesmo assim, sempre indelevelmente marcado em mim
De onde nunca sairás, por mais que me "fujas".

Não te prendo, não te agarro com as pontas dos dedos...
...apenas reclamo um pedacinho de ti
aquele pedacinho que me deste
que é meu
que é nosso
que é eterno...
Não me o negues para sempre!.

Deixa que eu viva um bocadinho de ti
Deixa respirar-te
Deixa olhar-te...
...e num último assomo, dar-te um beijo...

...Um beijo de despedida
Um adeus vago
Um “olá” presente
Um até amanhã.

Porque estás em mim,
E eu, como te prometi no poema
lamberei as nossas feridas...

...lamberei as tuas feridas
...a tua alma obscura
...a minha confissão negra.

A nossa luz de escuridão
só nossa, de mais ninguém.
E nela vivemos
Nela nos unimos unicamente
Nela nos damos à volúpia das emoções
Nela somos um
Nela somos e existimos.

Mesmo que seja apenas o sonho imaterial
Mesmo que seja só a palavra calada
Digo-a aqui...
Longe dos teus olhos e do teu fôlego: Existes em mim!"
ÉS em mim.

Pudesse eu...
por momentos
Por míseros e insignificantes segundos ser:
Em ti
Ser-te
Ter-te
Dar-me
Dar-te
O instante que pertencemos.

A ausência,
O silêncio...
são os nossos cicerones e pedidos de ajuda.

A claustrofobia toma conta do palco dos nossos sentidos.
E nós, deixamo-nos navegar...
deixamo-nos divagar numa maré sem rumo...
e o único fim...
É o começo.

Uma nova aurora
Uma nova luz que trespassa
Um medo assombroso de renascer em ti
Em mim
Em nós
Mas, a coragem resulta apenas em dizer-te: fazes-me falta...
Como um abrigo seguro
Como um negro anjo redentor
Como um deus de odores
Como uma flor hedonística
Como um desejo pintado
E um relógio que corre

Amanhã é nosso
Basta vermos por cima dos ombros de hoje?
Levar-te pela mão?
Deixares pousar o meu sonho?
Afinal...
...só quero-te aqui, presente, tangível, vivo, real.
A utopia... já a apaguei
Mas, a certeza da tua presença, o mérito do teu espírito,guardo-os eternamente...
Até ao dia em que os abutres das incertezas se vão com o vento.
E sintas...
atrás de um sorriso, que vale a pena fechar os olhos e sentir.

E esse segundo, é um beijo



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