
Harmonia
Data 17/07/2008 20:24:31 | Tópico: Poemas
| Busco-a intensa a cada noite naufragada em que não canto as flores nem fito acesa a luz de nenhuma estrela polar incendiada.
A nascente, a vida!
Busco-a com a lua prolapsa em meu regaço e a cidade exausta já adormecida de gentes d’artérias d’avenidas vazia
silêncios a pulsarem aninhados no meu seio, materno seio, num enlace doce e manso aqui, onde se desenha a curva cristalina d’ousadia e de receio.
E logo, logo, vidente, tu chegas e m’envolves, menina, num ousado e terno tango e rodopias na minh’alma nómada, cigana, na forma breve dum poema branco e a penetras, ávida de teu corpo, texto de mar bebido, trago a trago, em bebedeiras maiores d’alabastro de rubis e porcelana.
Dançamos fundidos num encadeamento de cordas e de pernas bambas de formas difusas e ausência de regras moldados os corpos as mentes ao verbo.
Amanhece. Desfolho vagarosa libretos de vocábulos em busca da forma pura de dizer amor, de dizer amado… e não encontro...
sejam primulas amarelas ou ruas nuas e frias que nelas e com elas tecerei fios de prata, colares, filigranas de mimosas
em forma harmónica…
Tacteio agora nervuras, desfolho o mar, “a biblioteca do mar” de volumetrias angulosas e folhas inquietas p’lo assobio do vento
um gemido, um lamento solto
…é largo o tempo num relógio pendular.
E o dia chega, repovoado d’harmonia.
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