
hermafrodita
Data 02/06/2008 12:24:38 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| subjaz silêncio na pétala dum malmequer aberto bem-querer em trilho dócil terra batida no âmago desta Lezíria.
avanço na manhã calada e danço o olhar sereno por sobre a tela que se me oferece: terreiro harmónico de espanto em que me perco, milionésima partícula de nada. detenho-me numa papoila. irmana com o trifólio de cinco folhas, lado a lado. cinjos numa braçada d’amor verde vermelha a cor folhas dissemelhantes desde livro tecido aos mistérios da natureza humana linhas em fio palavras e asas soltas ao vento que passa que as agita trespassa e alto voa. voam as palavras desamarradas da desordem interna.
subjaz o canto o canto multicelular do verbo, o desejo hermafrodita de ser, do papel, a letra e a tinta
pálida incerta
tela nudez
gazela livre e solta
subjaz a limpidez de olhar [e a vontade de sentir o teu beijo na pele de minha boca] horizonte vasto onde estrelas ainda estão por nascer no ventre consumado no ventre acasalado de ser poeta e ser mulher
talvez!
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