
AQUARELAS DE MIM
Data 28/05/2008 12:18:36 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| AQUARELAS DE MIM
Erijo monólitos de mim quando escrevo Erijo exílios em mim quando escrevo Erijo céticas catedrais de paz em mim quando escrevo Erijo no chão de cimento da minha verve Girassóis do mágico vento quando escrevo.
Faço do silencio interno A mais fragorosa música quando eu escrevo Faço da crédula e velhaca ressonância dos Corais de zagais modernos Estro para revelar o sabor malsão de seu mel malévolo Quando escrevo.
Pincelo alcovas para o vácuo dormir comigo Quando escrevo. Pincelo AKs-47 para soçobrar os majestosos castelos da demagoga e harpíaca Eloqüência quando escrevo. Pincelo uma miríade de pernas sôfregas por cosmopolismo Quando eu escrevo. Pincelo heterônimos bidimensionais Quando escrevo. Degusto o sol da catarse Ao pincelar a mim mesmo quando escrevo.
Sou disco bicromático quando escrevo. Sou relva, revoada e guepardo quando escrevo. Sou faca cega, lâmina de dois gumes e pedra lascada quando escrevo. Sou água-viva, letargia e águia quando escrevo. Sou aquarela sem pais, aquarela sem limiar e aquarela sem medo. Afinal, quando eu escrevo, Sou aquarela inerme, aquarela do caos, aquarela indigente: Sem nome, sem baile, sem lápide, sem brumas ou testamento!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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